Demissão de auditor fiscal ocorreu após mudanças no comando da Receita Federal.

Receita Federal

  O auditor-fiscal Ricardo Pereira Feitosa foi demitido do cargo de Coordenador-Geral de Pesquisa e Investigação (Copei). A exoneração foi publicada nesta quarta-feira (25/09) no Diário Oficial da União, em portaria assinada pelo subsecretário-geral do Fisco, José de Assis Ferraz Neto .

  Técnicos da Receita vinham pressionando pela saída de Feitosa há meses. O auditor é visto por colegas como um nome ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, um dos principais críticos à atuação da área de fiscalização do órgão. O Copei teve importância fundamental nas investigações da Lava-Jato e ficou cerca de quatro meses no cargo. No início do ano, o vazamento de uma análise preliminar da Receita com informações do ministro Gilmar Mendes gerou uma crise institucional envolvendo o órgão e autoridades dos Três Poderes.

 A chegada do técnico ao cargo causou polêmica entre colegas desde o início. Feitosa é ex-militar do Exército e, antes de ir para o Copei, estava trabalhando na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá (MT), e até então, nunca havia atuado na área de Inteligência. A demissão de Feitosa ocorre após uma dupla troca no comando da Receita Federal: em agosto, o então secretário especial da Receita, Marcos Cintra , demitiu seu subsecretário-geral, número 2 no comando do órgão, João Paulo Fachada, que foi substituído por Ferraz Neto. Três semanas depois, o próprio Cintra foi destituído. O auditor fiscal aposentado José Tostes foi indicado para chefiar a Receita .

  A área de inteligência da Receita é vista internamente como um setor sensível, motivo pelo qual os auditores defendem um perfil técnico para o cargo.

 Gilmar Mendes foi alvo de investigação interna do Fisco, em carta ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, ele atribuiu a servidores do Fisco ''abuso de poder'' e pediu investigação.

  Os auditores tem a expectativa de que, após tomar posse, Tostes faça apenas alterações técnicas e consiga barrar interferências externas no órgão. Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que quer fazer uma ''renovação'' na Receita e que não quer o órgão envolvido em tumultos políticos. ele citou reclamações de perseguição política da Receita Federal por parte de autoridades do Legislativo e do Judiciário.

 A Copei é uma das áreas mais poderosas da Receita, responsável pelas principais investigações e canal de interação com o Ministério Público nas operações de fiscalização e combate à corrupção. A coordenação teve papel importante nas investigações da Lava Jato.


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